quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Administrar

Há muitos anos não moro com meus pais. Muitos mesmo que não lembro precisamente o ano, acho que foi quando estava por completar vinte e três anos. Saí do conforto da casa dos meus pais por que queria ser independente e ter meu próprio espaço e fazer minhas próprias regras. Não que eu fosse uma rebelde, mas tinha essa convicção de que morar sozinha era como entrar na fase adulta. Pois bem. No começo foi difícil mesmo. Como acho que deve ser para todas as pessoas. Eu não conseguia me organizar direito para trabalhar, fazer a tese da faculdade, organizar minha casa para que fosse minimamente habitável e ainda por cima encontrar tempo para ler meus livros ou curtir a vida de jovenzinha independente. Mas vá lá, com alguns meses e aprendi a comprar a quantidade de comida exata para uma pessoa (quase nada, pois nessa época eu não cozinhava praticamente nada), aprendi a usar a máquina de lavar roupa, a passar, a limpar a casa e o que mais gostei de ter aprendido foi a receber pessoas na minha casa. Sim, desde quando morava com minha mãe, receber visitas era uma cerimônia. Pratos na mesa, cadeira para todos, preparar a entrada, prato principal e uma sobremesa. Não que todas as reuniões na minha casa fossem assim, mas se vinham para jantar, esse era o esquema. Morar sozinha também trouxe seus benefícios. Administrar meu próprio dinheiro, tanto que para comprar roupas, itens para a casa e até um óculos em um ótica do brasil consegui fazer de tudo mas em pequenas doses, tirando um pouco daqui, colocando um pouco lá e não usando o cheque especial nem excedendo o limite da conta do banco. Todas essas coisas aprendi a fazer sozinha, mas agora que estou namorando descobri que é muito diferente administrar a vida de a dois.